quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pós-graduação em Psicologia do esporte - Folder de divulgação

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Pós-graduação em Psicologia do esporte - Lançamento do curso



É com grande satisfação que te convido a conhecer a pós-graduação lato sensu em Psicologia do Esporte: Atividade Física, Alto Rendimento e Reabilitação que está sendo ofertada pelo Instituto Brasileiro de Educação e Saúde, sob minha coordenação, em Brasília.

As inscrições estão abertas, o número de vagas é limitado, portanto faça agora mesmo sua inscrição pelo site http://www.ibesedu.com.br/psicologia-brasilia ou entre em contato pelo fone 61 84099654 (Prof. Luciano).

Maiores informações podem ser obtidas no site do Instituto IBES.

Aproveite essa oportunidade única na Região Centro-Oeste.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Pós-Graduação em Psicologia do Esporte

Muitas pessoas, profissionais de psicologia e de educação física, têm me procurado para pedir informações sobre cursos de especialização em psicologia do esporte. Por falta de boas opções para indicar, sobretudo na região centro-oeste, resolvi elaborar um curso nessa área.
Atualmente estou negociando com o Instituto Brasileiro de Educação e Saúde (IBES) para oferecer o curso de pós-graduação lato sensu intitulado PSICOLOGIA DO ESPORTE: ALTO RENDIMENTO, ATIVIDADE FÍSICA E REABILITAÇÃO.
A idéia é oferecer a formação no início de 2012 na cidade de Brasília.
Caso tenha interesse em obter informações ou participar do curso, deixe seu contato no comentário dessa postagem, que o mantenho atualizado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Atleta brasiliense de judô é vice-campeão brasileiro juvenil de judô

Segue abaixo reportagem sobre atleta de judô que acompanho há três meses com intervenções de Psicologia Desportiva.

"Esporte: Atleta da Corpo Arte é destaque em Aracaju

Publicado em 09/08/2011 - 17:12

Por: Amarildo Castro

Depois de sagrar-se campeão do judô em Brasília em cinco campeonatos, a Academia Corpo Arte continua revelando novos talentos no judô. No último dia 6, foi a vez do morador do Guará e aluno da academia, Bruno Ribeiro Barreto, brilhar no Campeonato Brasileiro de Judô sub 15, em Aracaju-SE. O garoto, de apenas 14 anos, só perdeu a final da competição, um resultado bastante contestado pelos representantes da academia. A decisão coube aos três juízes da luta, onde Bruno perdeu na “votação” por 2 x 1. Mesmo assim, o atleta está satisfeito com o resultado e já treina para viajar em busca de medalhas na Argentina, já que o resultado em Aracaju o credenciou a participar do Sul Americano de Judô naquele país no próximo mês de outubro.


Aluno do experiente professor de judô, Oswaldo Navarro, Bruno treina há 10 anos e já acumula cinco títulos brasilienses em diferentes categorias. Ele tem planos de levar a vida de atleta bem à frente, com sonhos mais ousados, como participar de Olimpíadas.

Para custear despesas, recebe ajuda de custo da Pontual Transportes e do Colégio Santo Antônio. Mesmo assim, ainda é necessário mais patrocínio para seguir sua vida de atleta profissional.

Fonte: Jornal GuaráHOJE"

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Entrevista ao jornal Correio Braziliense

Depois de grande tempo de inatividade, volto a fazer uma postagem. Participei de uma reportagem para o jornal Correio Braziliense. Disponibilizo a íntegra da entrevista e o link para a reportagem original do jornal.

CB_1: Existe uma explicação prática do ponto de vista psicológico para o que no esporte conhecemos como amarelar? Existe um conceito para isso?

O conceito de amarelar está relacionado à dificuldade do atleta manter seu nível de rendimento em uma situação onde há uma grande pressão, uma grande expectativa ou responsabilidade em obter determinado resultado.

CB_2: Como você antecipou, é uma questão muito particular, que varia de atleta para atleta. Mas existe algum método para trabalhar esse aspecto da confiança nas horas decisivas?
A melhor maneira de preparar o atleta para os momentos decisivos é incrementar o nível de confiança do atleta e o controle da ansiedade. Para isso é importante aproximar as características do treinamento àquelas que serão enfrentadas na competição. Quando se treina em ambientes distante das circunstância da competição não se capacita o atleta para enfrentar os momentos decisivos.


CB_3: Como uma amarelada afeta no futuro do atleta? No caso do LeBron James, por exemplo. O que ele precisa fazer para superar as más atuações para que isso não influencie em novos momentos decisivos?
Afeta na medida em que o atleta pode associar outros momentos futuros com a situação negativa que viveu anteriormente. Corre-se o risco de entrar em círculo vicioso, momentos decisivos a lembrança que vem à cabeça do atleta é o que aconteceu com ele anteriormente, isso gera um aumento de ansiedade, queda na autoconfiança e consequentemente diminuição no rendimento, em outras palavras, a comumente chamada de “amarelar”. No caso do Lebron é preciso fazer uma avaliação criteriosa de seu rendimento no playoff, entender quais foram seus momentos positivos e negativos e, principalmente, em quais circunstâncias eles ocorreram. Não é porque houve a derrota e um baixo rendimento em um jogo em casa, que se deve desconsiderar todo o desempenho que ele teve na série. Em alguns jogos ele foi decisivo para o Heat. Um exemplo, seria identificar com maior riqueza de detalhes os momentos específicos que seu rendimento foi abaixo do esperado, conhecendo a situação que isso ocorreu é possível identificar as causas do problema e prepará-lo para render mais em um momento semelhante. Uma estratégia utilizada é avaliar racionalmente o rendimento, tirar as lições do ocorrido e de agora em diante focar no treinamento para evoluir e enaltecer os pontos positivos do atleta.


CB_4: Você citou o exemplo do Oscar como um atleta que não sentia pressão. Podemos dizer que é uma coisa rara no mundo do esporte? E por que caras como ele conseguem ignorar essa pressão? É uma questão apenas de confiança?
A pressão é uma situação objetiva (ter que ganhar, ter que resolver, etc) que está posta para todos os atletas de destaque. O que muda é como cada atleta PERCEBE a situação, para alguns, isso representa uma ameaça, que gera pensamentos negativos (será que vou conseguir? E se eu perder o que a imprensa vai falar? Se eu não jogar bem vou perder meus contratos de patrocínio, etc), também chamado de ansiedade cognitiva. Esse quadro de alta ansiedade, para o atleta que não consegue manejá-la, afeta o desempenho esportivo. No lado oposto, temos atletas que percebem a mesma situação como uma oportunidade (essa é minha chance de mostrar do que sou capaz, isso era tudo que eu sempre quis, vou arrebentar, etc). A diferença de percepção está diretamente associada com o nível de confiança que o atleta possui e como ele lida com as adversidades (momentos difíceis, quando comete erros, equipe atrás do placar) do jogo. Ou seja, não importa o tamanho do desafio e dos obstáculos, o que importa é a percepção do atleta sobre sua capacidade de transpor essas dificuldades. Os que ignoram a pressão conseguem controlar a ansiedade, manter uma perspectiva positiva (sempre ver a situação como uma oportunidade, mesmo nas mais complicadas situações) e manter a concentração nos fatores internos no jogo (execução técnica, elementos táticos).


CB_5: Essa pressão em momentos decisivos, na sua opinião, é maior ou menor em esportes coletivos? O fato de todo um time depender de um lance de determinado atleta pesa? É mais fácil lidar com os erros em um esporte como o tênis, por exemplo?
É difícil associar a pressão ao tipo de esporte coletivo ou individual, pois vai envolver diversos fatores específicos de cada situação. Se você tem um nível de relacionamento na equipe onde há um suporte social entre os próprios atletas, entre comissão técnica e atletas, a pressão tende a ser menor, pois o atleta se sente mais amparado pelos componentes da equipe e sabe que não está só, que tem o respaldo da comissão para arriscar, que não sofrerá represálias ou culpa em situações de erro. Se não há esse clima, a responsabilidade é inteiramente depositada em um atleta apenas, a pressão tende a ser maior. Veja o caso do Heat, havia além do LeBron, o Bosh e o Wade, mesmo assim o LeBron pode ter entrado em quadra achando que a responsabilidade era principalmente dele, por sua experiência, etc. Isso geraria uma pressão a mais, que o próprio atleta se colocou. Se um time investe tudo em um atleta, sem dúvida a pressão aumenta, pois esse atleta carrega sozinho a responsabilidade, que deveria ser partilhada, mesmo que de forma desigual. Lidar com erros em esportes individuais é teoricamente mais fácil, pois temos apenas uma pessoa dando significados para seus erros. Em uma equipe o erro de um pode gerar um grande prejuízo para os demais, no caso do tênis o prejuízo é para o próprio atleta. Ele precisa desenvolver a capacidade de lidar de forma adequada com seus erros, sem depender de outros e sem estar sujeito a cobranças dos companheiros. Por outro lado, o atleta ide esporte ndividual não tem com quem dividir a responsabilidade, ele tem apenas a si próprio para resolver seus problemas.

Tentando resumir, sem saber se é possível, o importante não é se o atleta compete sozinho ou em grupo, existem outros fatores mais relevantes, como a capacidade de manejo da ansiedade, auto-confiança e suporte social.


CB_6: Como é o trabalho de um psicólogo do esporte antes, durante e depois de uma competição? Como vocês lidam com uma amarelada?

Essa pergunta é difícil de ser sintetizada, tendo em vista que o psicólogo do esporte atua de muitas maneiras em função da situação, do problema, do objetivo, etc. Mas vou tentar....

Antes de uma competição busca-se fazer uma avaliação do atleta, da equipe para identificar quais aspectos necessitam ser abordados (isso varia muito entre equipes, atletas, esportes). O próximo passo é elaborar um planejamento de intervenção e colocá-lo em prática. Durante a competição o ideal é que os problemas identificados já estejam em processo de resolução. O foco principal volta-se para os aspectos específicos da competição, tais como, manter a concentração, controlar a ansiedade, quais os possíveis problemas poderá enfrentar; busca-se retomar o que foi construído durante a intervenção para que o atleta efetivamente coloque em prática no momento para o qual se preparou: a competição. Após a competição o psicólogo do esporte auxilia o atleta a realizar uma avaliação adequada de seu rendimento, buscando esclarecer as circunstâncias que ocasionaram alto e baixo rendimento, para, a partir daí, propiciar ao atleta maior controle sobre seu desempenho, ou seja, prepará-lo para render mais quando a situação que o prejudicou surja novamente.

A melhor maneira de lidar com a amarelada é fazendo uma avaliação adequada do rendimento do atleta, encarando o erro como um indicativo importante do que precisa ser melhorado e não como algo apenas negativo. Usar a adversidade para que o atleta aumente seu empenho nos treinamentos, enaltecer os momentos de bom desempenho que o atleta já vivenciou e intensificar o treinamento de habilidades psicológicas para lidar com a pressão e a ansiedade.

Primeira parte reportagem
Segunda parte reportagem

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Reportagem concedida ao portal Terra

Preparação psicológica: um dos segredos para o sucesso da seleção brasileira em 2014

Sexta-feira, 2 de julho de 2010. Brasília e o resto do país estavam em peso assistindo à eliminação da seleção brasileira no Mundial da África do Sul, novamente nas quartas de final, como em 2006. Após ganhar a Copa América e a Copa das Confederações nos anos anteriores, o Brasil era um dos favoritos ao título mundial, mas, no entanto, definhou frente à Holanda. Ficou nítido que o descontrole emocional da equipe foi o fator decisivo para a derrota.

Para o psicólogo Luciano Lopes, especialista e mestre em Psicologia do Esporte pela Universidade de Brasília (UnB), é preciso realizar um trabalho emocional contínuo e de longo prazo com os jogadores que defenderão o Brasil em 2014. Em entrevista ao blog De Olho em 2014, Luciano fala sobre a atuação do psicólogo do esporte e sobre o trabalho que pode ser desenvolvido com a seleção brasileira para o mundial.

O Mundial de Futebol é um dos eventos esportivos mais importantes do mundo. A tradição brasileira no esporte e, sobretudo, na competição, somada às expectativas de milhões de torcedores fanáticos, tornam enorme o chamado “peso da camisa”. Como preparar o atleta para enfrentar um momento como esse, de tão grande responsabilidade?

A preparação psicológica não pode ser pontual, precisa estar inserida em todo o planejamento da comissão técnica. Não se deve olhar para a preparação psicológica como algo a ser utilizado em momentos de dificuldades ou no momento da competição. A preparação emocional é semelhante, por exemplo, à preparação física: precisa de um trabalho a médio e longo prazo, o atleta tem que se envolver, ter disciplina e participar ativamente desse processo. Em suma, a melhor preparação é a que será implementada desde agora, identificando as características dos jogadores, com intuito de atuar, inclusive, junto a seus clubes para obter avanços na área emocional.

O que pode afetar psicologicamente a cabeça de um jogador? Por estar jogando em sua pátria, o jogador pode ficar emocionalmente abalado?

Depende de como o jogador encara o fato de jogar em casa. Alguns podem avaliar isso como algo ameaçador – “E se eu não conseguir? E se perdermos?” – Em contrapartida, para outros, a mesma situação pode representar um grande estímulo – “Vou corresponder a todo o apoio da torcida. Essa é a chance de mostrar meu potencial para o Brasil e o mundo”. A mensagem principal é: por mais que a situação objetiva seja a mesma para todos, a percepção de cada atleta é subjetiva, ou seja, precisamos conhecer cada um para avaliar como irá encarar a responsabilidade de jogar um Mundial em casa.

O Brasil, por ter uma longa tradição no futebol, entra em qualquer competição como favorito ao título. Na África do Sul não foi diferente, mas o Brasil passou longe de corresponder às expectativas. Contra a Holanda ficou visível o descontrole psicológico do time. Como evitar que se repita em 2014 tudo o que aconteceu na África do Sul?

Sem dúvida, essa não é uma situação que poderia ser resolvida durante a Copa. A maneira que o Dunga conduziu o grupo foi a grande responsável por esse descontrole. Quando ele optou por isolar o grupo da imprensa, família e torcedores, ele aumentou a responsabilidade pela obtenção do resultado. Quando se cria um clima constante de embate (mais especificamente com a imprensa), a mensagem que chega aos jogadores é: estão todos contra nós, temos que nos superar e mostrar nosso valor. Em momentos de adversidade, o atleta imagina as consequências do fracasso e passa a se comportar como se o fracasso já tivesse acontecido. Daí o descontrole emocional, inclusive em atletas que não apresentam esse perfil em seus clubes. O Dunga cometeu um erro básico: acho que o combustível que funcionou bem com ele como jogador também alimentaria adequadamente seu grupo de jogadores. Mais uma vez, não há fórmulas pra conduzir um grupo, precisamos estar em consonância com as características de cada atleta.

A dita renovação da Seleção Brasileira pelo técnico Mano Menezes (com média de idade dos jogadores entre 23,1 anos) exigirá uma preparação especial para os jogadores mais novos? Como eles devem ser orientados?

Via de regra, jogadores mais novos precisam de ambiente mais estável para render todo seu potencial. Quando falo em ambiente estável, quero dizer dar suporte emocional aos atletas, criar condições para jogarem à vontade (como fazem em seus clubes), minimizar as pressões que a seleção sofre costumeiramente. Alguns jogadores, entretanto, por suas características pessoais, não se encaixam nesse perfil. O Neymar é um exemplo. No caso dele, talvez o treinador precise estar atento à sua perda de foco, de concentração, em vez de abordar o controle da ansiedade. Não é possível prescrever uma intervenção que dê conta de todos os atletas, mesmo daqueles que possuem semelhanças (idade, origem, história etc.).

Em sua opinião, qual o papel do Mano Menezes e da comissão técnica da seleção nesta preparação psicológica para o Mundial?

O papel do Mano é de criar as condições para o atleta desempenhar seu melhor futebol. Para isso ele precisa se cercar de profissionais competentes, nas diferentes áreas das ciências do esporte. Vejo como função primordial a delegação de funções, sem tentar se responsabilizar por intervir em áreas que não são de sua formação (psicologia do esporte, por exemplo). A melhor maneira de ter uma preparação psicológica adequada é contar com um profissional capacitado nessa área, como o Mano já sinalizou que irá fazer. É importante frisar que a psicologia do esporte não é a resposta para todos os males e nem garantia de sucesso, é um fator, dentre tantos, que contribui para obtenção dos objetivos.

Você acredita que a mescla de jogadores mais experientes com os mais novos é uma boa alternativa para se evitar instabilidades emocionais no grupo?

Não necessariamente. Veja o caso do Zidane na Copa de 2006. Na ocasião, ele era um dos mais experientes da França e nem por isso comportou-se de forma equilibrada. A estabilidade emocional não envolve apenas a idade, existem outros fatores que precisam ser considerados. Por exemplo, o clima que o treinador cultiva dentro da equipe, as características pessoais do atleta e a interferência da torcida, dentre outros. Portanto, o fato de ser mais experiente não é um garantia de equilíbrio emocional, o fato relevante é conhecer as características dos atletas que estão nos planos da comissão. Por isso, o trabalho do psicólogo do esporte que integrar a seleção é criar um banco de dados com avaliações psicológicas dos atletas que passarem pela equipe, no intuito de dar suporte às decisões do treinador.
Clique aqui para acesso à reportagem original.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fui entrevistado pela Revista Isto É em matéria sobre o Dunga. Segue íntegra da reportagem.

Dunga no ataque

O que está por trás do estilo belicoso do técnico brasileiro, que aposta no conflito externo para manter seu grupo fechado e conquistar a torcida

Yan Boechat, Rodrigo Cardoso e Juca Rodrigues (fotos), enviados especiais à África do Sul

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Dunga vs. imprensa. Assista a trechos de entrevistas em que o técnico da Seleção demonstra seu destempero com a mídia

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Na manhã da segunda-feira 21, Dunga foi um dos primeiros a acordar no hotel The Fairway, a concentração da Seleção Brasileira em Johannesburgo. Havia dormido pouco, mas estava especialmente feliz. No dia anterior o Brasil fizera uma boa partida contra a Costa do Marfim e, com a vitória por 3 a 1, garantira a classificação antecipada para as oitavas-de-final da Copa do Mundo. Além disso, também no domingo, o técnico da Seleção Brasileira havia sido informado pela mãe, Maria, que seu pai, Edelceu Verri, finalmente deixaria o Hospital Unimed, em Ijuí (RS), após um mês de internação. Vítima de Alzheimer há quase uma década, Edelceu passara os últimos 30 dias entrando e saindo da UTI, por conta de infecções respiratórias e urinárias, complicações naturais de sua enfermidade, já em estado terminal. Até aquele momento, Dunga não fazia ideia de que os palavrões que murmurara após o bate-boca com o jornalista da Rede Globo Alex Escobar tinham sido captados pelo sistema de áudio da sala de entrevistas do estádio Soccer City. Quando foi informado da repercussão que o caso havia ganho, quase 12 horas após a discussão, assustou-se. Dunga sabe que chegou ao ápice de uma guerra pessoal que trava com a imprensa há 20 anos. Na noite daquele domingo chegara ao ápice também o estilo de comando que o treinador implantara na Seleção Brasileira desde que assumiu o cargo, em agosto de 2006. Depois do fracasso da Copa do Mundo da Alemanha, Dunga foi escalado por Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para colocar ordem na casa, trazer de volta a seriedade perdida em anos marcados por festas, indisciplina e uma boa dose de falta de respeito pela camisa que foi a segunda pele de verdadeiros mitos do futebol mundial. Fez o que deveria ter feito, é verdade. Mas pode ter errado na forma de fazer e foi além do que lhe pediram. Adotou uma postura ditatorial à frente do time brasileiro. Não permite contestações ou conselhos de pessoas fora de sua intimidade e só aceita, entre seus comandados, quem lhe demostra fidelidade canina. Para Dunga não há meio-termo. Ou se está ao lado dele ou se está contra ele.

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EM AÇÃO
Futebol discreto contra Costa do Marfim (acima) e Portugal (abaixo)
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Desde que chegou à África do Sul, Dunga se transformou em um Stalin do mundo da bola. Enclausurou os jogadores em uma espécie de gulag cinco-estrelas, partiu para o ataque contra a imprensa e simplesmente deixou de dar atenção às recomendações de seus superiores. Ali quem manda é ele, e apenas ele. “O homem enlouqueceu, está doido”, comentou com amigos o chefe da delegação brasileira e presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Irritado com o estilo adotado por Dunga, Teixeira tentou convencer o comandado a ser mais maleável. No dia seguinte à vitória do Brasil contra a Coreia do Norte, na terça-feira 15, Teixeira teria feito uma das poucas visitas à concentração desde que o time chegou à África. Segundo relatos de dirigentes próximos ao presidente da CBF, Dunga não deu ouvidos aos pedidos para que afrouxasse a clausura e diminuísse os ataques aos jornalistas. Oficialmente a CBF nega o encontro, mas confirma que desde a estreia Teixeira não foi mais ao hotel da Seleção. “Sabíamos quem era o Dunga, mas nunca íamos imaginar que ele fosse chegar ao ponto que chegou. Ele simplesmente está contra tudo e contra todos que pensam diferente dele”, conta um cartola que acompanhou de perto as negociações para o capitão do tetra assumir o time brasileiro.

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Quem conhece bem o cidadão de Ijuí Carlos Caetano Bledorn Verri, 46 anos, não se surpreende. “No colégio, ele já era teimoso”, conta o gaúcho Emídio Perondi, padrinho de nascimento e de casamento de Dunga. Sua esposa era diretora da escola que Dunga estudava e lembra da porção contestadora do menino. “Ele venceu no futebol por fazer as coisas da sua maneira. E não vai mudar”, diz Perondi. Mesmo conquistando quase tudo o que disputou na carreira, Dunga não se livra do rancor por ter sido crucificado na eliminação do Brasil contra a Argentina em junho de 1990. Focado nesse embate pessoal, sua porção vencedora deu lugar a uma outra: a de mau ganhador.

Sua descompostura ao proferir palavrões endereçados aos críticos enquanto erguia a taça do tetra, a deselegância ao cumprimentar o presidente Lula, que lhe desejava sorte na Copa, com a mão no bolso e cara de poucos amigos, e a agressividade com que atacou verbalmente um jornalista após a vitória contra a Costa do Marfim são episódios emblemáticos. “Isso tudo vai ter um peso na biografia do Dunga. Mesmo se conquistar o Mundial, ele será uma pessoa perdedora”, diz Paulo Vinícius Coelho, comentarista dos canais ESPN. Um amigo gaúcho do treinador do Brasil vai mais longe: “Pode apostar. Se ele ganhar a Copa, não duvido que irá embora da África sem dar entrevista.” O primeiro passo, Dunga já deu. Com o empate sem gols com Portugal na sexta-feira 25, ele classificou o Brasil para as oitavas-de-final do Mundial. O time, à imagem de Dunga, não foi brilhante mas cumpriu seu dever. Jogo no ataque, só fora de campo.

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Para vencer como técnico, Dunga se esforça tanto ou mais do que na época em que corria o campo atrás de jogadores habilidosos. Na África, tem sido obsessivo. Nos mais de 30 dias em que está no The Fairway, saiu do hotel apenas para jogar ou fazer treinamentos. Nos momentos de folga, convive pouco com os atletas, não participa das principais diversões dos jogadores, como o videogame, a sinuca ou o baralho. É sempre um dos primeiros a acordar e, a todo momento, está focado nos jogos seguintes. Ali na concentração, conversa com frequência apenas com Jorginho, seu auxiliar técnico, e Taffarel, o espião do time nessa Copa. Fora dela, somente os familiares de Ijuí recebem suas ligações. “Ele é isolado, só pensa em trabalhar, passa o tempo inteiro vendo vídeos dos outros times. Está obcecado em vencer essa Copa”, conta o empresário de um jogador enclausurado no The Fairway.

Dentro da concentração, um misto de respeito por sua fidelidade ao grupo e medo de suas atitudes intempestivas faz todo mundo rezar sua cartilha. Há quem discorde dos métodos de Dunga, mas, por conta de sua mão forte, as divergências nunca vieram à tona. Por ordem do treinador, ninguém pode conversar com nenhum jornalista fora das entrevistas coletivas. Nem mesmo profissionais como roupeiros, cozinheiros ou seguranças estão autorizados a ter contato com pessoas fora de seu convívio pessoal.

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“Dunga tem necessidade muito grande de controle, chega ao nível de uma paranoia”, diz João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte. “As atitudes do Dunga podem ter repercussão em maior e menor grau entre os jogadores da Seleção. Para atenuar essas reações, é preciso o grupo continuar ganhando”, avalia. “Se ele for um técnico que explode com os jogadores, a equipe pode se sentir mais vulnerável, insegura e ansiosa em campo. E o jogador ansioso tem mais dificuldade de tomar decisão”, corrobora o psicólogo Luciano Lopes, que na semana passada concluiu sua tese de mestrado em psicologia do esporte pela Universidade de Brasília (UnB). Batizada de “Como Dunga Pode Levar o Brasil ao Hexa?” Para muitos, é essa influência, no aspecto negativo, que tem pautado reações intempestivas de jogadores normalmente pacatos, como Kaká, em momentos de tensão nos jogos e nas entrevistas. Contra a Costa do Marfim, embora com boa atuação, o craque brasileiro mostrava-se irritadiço, revidou às provocações do adversário e foi expulso pela primeira vez em sua história na Seleção. Contra Portugal, Dunga substituiu o volante Felipe Mello após o jogador receber um cartão amarelo, fruto de uma troca de entradas violentas com o português Pepe. E nos últimos 30 minutos o treinador expôs a todos grande irritação com o desempenho do time, gesticulando muito e gritando a ponto de ouvir, do campo, um pedido de calma do capitão Lúcio.

Fora de campo, Dunga isolou-se. Ricardo Teixeira já decidiu que, mesmo vencendo, ele não continuará no comando da Seleção. Na semana que passou, Teixeira precisou entrar em campo para tentar colocar panos quentes na guerra que Dunga declarou à Rede Globo. O próprio presidente da CBF procurou a cúpula da emissora para explicar que havia sido o técnico da Seleção quem proibira Luís Fabiano de dar uma entrevista exclusiva a Alex Escobar. Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da entidade e homem de confiança do presidente da CBF também entrou em contato com jornalistas e diretores da emissora para aparar as arestas. Dias antes, Teixeira havia acordado com a mesma Globo que as entrevistas ocorreriam logo após as partidas em uma área alugada junto à Fifa dentro do estádio. Apenas emissoras com direito de transmissão podem ter acesso a esse espaço. Dunga acatou no primeiro jogo, contra a Coreia, e permitiu que Elano conversasse com a emissora. No segundo, vetou. “O Dunga não entende que futebol não é só jogadores e comissão técnica, há algo muito mais complexo envolvido”, diz uma pessoa próxima de Teixeira. “Só nesse time estão investidos mais de US$ 100 milhões por ano, dinheiro de patrocinadores que querem retorno e proporcionam toda a estrutura que ele tem na mão. É possível ganhar de forma diferente. Dunga não precisava adotar essa postura. Ele beira um caso patológico, psiquiátrico”, diz esse interlocutor do cartola.

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EU MANDO
Com Lula, na despedida, a mão no bolso indica desprezo pela autoridade alheia

Mas ao mesmo tempo que desagrada à aqueles ligados diretamente à Seleção, o discurso e as atitudes de Dunga reverberam junto à população brasileira. O tom de seriedade, de comprometimento, de patriotismo e a postura de não ceder aos interesses de terceiros fazem eco em um país cansado dos mandos e desmandos de governantes e de benesses concentradas nas mãos de alguns poucos eleitos. A campanha de apoio ao treinador deflagrada na internet logo após seu entrevero com a Rede Globo mostra que Dunga consegue se comunicar bem com o povo e que sua estratégia de eleger um inimigo, seja ele imaginário ou não, funciona. Algumas de suas falas remetem a outro gaúcho, o ex-presidente Getúlio Vargas. “Mais uma vez as forças e interesses contra o povo novamente desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa”, escreveu o ex-presidente em sua carta-testamento. Dunga segue o mesmo padrão: “Primeiro te batem para te deixar fraco e pedir ajuda. Quando não conseguem, tentam te derrubar”, disse o técnico da Seleção Brasileira no fim do ano passado. “Eu, como todo brasileiro, só quero trabalhar. Meu maior exemplo é a minha mãe. O que estão fazendo com o filho dela não se faz com ser humano nenhum”, afirmou o treinador, na coletiva antes do jogo contra Portugal.

Nesse dia, quinta-feira 24, Dunga aparentava cansaço. O golpe da semana mais difícil e conturbada de sua passagem como técnico da Seleção estava escancarado em seu rosto. Não à toa, não passou um dia sem ligar para sua mãe, que, mesmo assistindo o marido, preocupava-se e muito com o filho. Dunga queria receber seu apoio e saber sobre Edelceu, que deixou o hospital na segunda-feira 21. Ex-centroavante famoso em Ijuí, Edelceu é o herói de Dunga. Operário que trabalhou com curtume, fazendo chinelo e tamanco, assistiu às peladas do filho no Sul e o acompanhou em vários momentos. “Edelceu estava com Dunga na Alemanha, na Itália”, conta Perondi, citando alguns países onde Dunga jogou. “O pai dele estava na arquibancada na Copa de 1990, quando o Dunga foi derrotado junto com o Brasil pela Argentina.” Para Dunga, não há nada mais importante do que a família, nem o futebol. “Ele é o que seus pais lhe ensinaram, os valores dele vêm do berço. Por isso estamos todos tranquilos com essa situação”, diz Ivo Boratti, cunhado do técnico da Seleção, que na última semana não conseguiu falar com Dunga. “Desde domingo ele só está falando com a mãe.” Em todos os momentos difíceis de sua carreira, foi em Ijuí que o técnico da Seleção buscou apoio. “Eu sou animal do mato e toda vez que estou ferido volto pro mato para “lecare” (lamber, em italiano) minhas feridas”, afirmou Dunga à ISTOÉ no fim do ano passado. O mato, para ele, é sua família. Se perder este que é o maior desafio de sua carreira, não há dúvida: Dunga, uma vez mais, vai se refugiar na confortável casa que ajudou o pai a construir no bairro São José, em Ijuí, para lamber suas feridas. Se vencer, como todos esperam, é possível que se recolha também. E encerre o ciclo de tormentos que o perseguem há 20 anos.

N° Edição: 2120 | 25.Jun

Link: http://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/83619_DUNGA+NO+ATAQUE/2

 

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